No dia Mundial do Urbanismo, além de parabenizarmos esses profissionais que batalham sol a sol por ambientes mais agradáveis e ar mais puro, nós trazemos uma matérias que veiculou no Jornal Zero Hora, onde a Professora da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Unisinos afirma que "brincar segue sendo indispensável" para o desenvolvimento.
de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Unisinos
Sem pesares, a era industrial se despede. A hipermodernidade assume a forma de um mundo de consumo, efêmero, global, conectado. Neste novo cenário surgem novas configurações. O espaço habitado é virtual, assume uma complexidade onde o palco da vida cotidiana ultrapassa o território. A vida contemporânea acontece na rede social, no correio eletrônico, no jogo em rede, no imaginário. Com todos os desafios de um novo modus vivendi, a vida não deixa de existir na praça, na casa, na escola. A cidade, lugar do acontecimento e da troca, não deixa de existir nesta era tecnológica, conectada, sensorial, a vida coexiste e abre espaço para o novo. Dentro desta configuração, urge viver os dias de hoje, atualizar-se, observar os reflexos desta nova organização social para então atuar nas lacunas trazidas pelo avanço do tempo nas nossas cidades.
A avó não atende ao telefone, um smartphone obviamente, pois está ocupada praticando voyeurismo e corujismo na rede social. O neto tem preferência pelo game online ao brincar na praça do bairro, pois acha o game muito mais estimulante. A atividade física pode acontecer dentro de casa, com interatividade diante da tela. É fato, o espaço virtual está consagrado, é uma realidade. E o espaço físico? Que papel assume? Que transformações sofre? Que novas aptidões e necessidades surgem com o advento tecnológico? Que cidadão será este? A resposta, inclusive, ao "onde estamos e para onde vamos", mais do que nunca na história, se constrói também em rede, coletivamente.
É dentro das novas possibilidades de uma nova organização e, antes disto, de um novo habitante, que devemos pensar em gerações. É pensando na nova geração, que dá um novo sentido ao conceito de realidade, que devemos elaborar tais perguntas. Entre o imaginário, o mundo das ideias, a nova geração é capaz de desconsiderar fronteiras entre os mundos físico e virtual, uma vez que ambos são espaços onde a vida acontece e ganha sentido. A observação à atualidade deixa claro que o lúdico não deixa de existir, a criança segue sendo criança e brincar segue sendo indispensável para o desenvolvimento da criança.
Onde, como e quando a criança pode ser criança? Que tempo é este? Mais do que responder ao impasse em que nos encontramos, é importante reconhecer este novo cidadão. Se o parquinho não tem mais graça, o planejamento falha. O kit escorregador, gangorra e caixa de areia parece seduzir muito pouco esta geração criativa. Antes de abandonar o espaço físico para o virtual, devemos recuperá-lo e torná-lo tão interessante quanto o game. Será somente a partir das vozes destas crianças de hoje, escutando-as e convidando-as à participação, que será possível promover espaços estimulantes, promotores de cidadania e com alta capacidade de interação.
Fonte: Zero Hora
Qual a loja de brinquedos que te lembra a infância?

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